• André Vendrami

Setembro Amarelo: 90% dos suicídios podem ser evitados e você pode ajudar

Hoje o papo aqui vai ser sério. Afinal, o Setembro Amarelo não existe desde 2015 por acaso e nem por motivos de comemoração. Os índices de suicídio no mundo e no Brasil são assustadores e a depressão e o bullying – ou os dois juntos – estão entre as principais causas desses tipos de morte. Então, precisamos sim tocar no assunto também entre nós.


A cada 40 segundos uma pessoa tira a sua própria vida no mundo, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS). No Brasil, de acordo com informações do Centro de Valorização da Vida (CVV) isso acontece a cada 45 minutos entre os jovens, sendo a quarta causa de morte mais comum. Isso significa cerca de 32 mortes por dia e mais de 11 mil por ano e os dados colocam o Brasil na posição de 8º país do mundo com maior índice de suicídios.


Segundo estudo realizado pela Unicamp no ano passado, 17% dos brasileiros, em algum momento, já pensaram seriamente em dar um fim à própria vida e, desses, 4,8% chegaram a elaborar um plano para tal. Um estudo da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, publicado em 2012, chegou à conclusão de que adolescentes gays, lésbicas, bissexuais e transexuais estão cinco vezes mais propensos a tentar o suicídio, em comparação com os heterossexuais da mesma faixa etária.


Uma cartilha sobre prevenção ao suicídio publicada pelo CVV em 2017 revela que os meninos se matam mais que as meninas, de acordo com as estatísticas. Mas sabe-se também que elas tentam suicídio mais vezes. A mesma tendência é a mesma entre adultos. No ano passado, a série 13 Reasons Why, da Netflix, trouxe o assunto à discussão de forma aberta e clara, aumentando exponencialmente no Brasil o número de pessoas que procuraram o Centro de Valorização da Vida em busca de ajuda ou de informações sobre prevenção. Coisa muito séria, concordam?


Prevenção Segundo a OMS, 90% dos casos de suicídio podem ser evitados, desde que hajam condições mínimas de ajuda voluntária ou profissional. No Brasil, o CVV é uma das principais instituições voltadas à prevenção, atuando há mais de 50 anos no país. Além disso, grupos de voluntários que ofereçam apoio emocional gratuito também são sempre úteis. Em algumas regiões brasileiras já existem programas de saúde pública que oferecem esse serviço em algumas regiões do país.


Segundo o CVV, dentre os adolescentes que contatam o serviço, muitos relatam histórias de conflitos com os pais, amigos e preocupações com a escola. Já os jovens adultos falam sobre medo de não conseguir um emprego, sobre relacionamentos complicados e também sobre sua própria solidão.



Nós podemos aprender a reconhecer sinais de que as pessoas próximas estão precisando de alguma ajuda. Segundo a cartilha de prevenção do órgão, “frases como ‘vou desaparecer’, ‘vou deixar vocês em paz’, ‘eu queria dormir e nunca mais acordar’ podem expressar ideias ou intenções suicidas”. Além disso, outros fatos que podem levar alguém à intenção e tirar a própria vida são a “falta de esperança e de visão do futuro, culpa, baixa autoestima e visão negativa da vida, sejam verbalizadas, escrita ou até mesmo em desenhos apontam a necessidade de maior atenção”.


Além disso, é preciso se conscientizar de que a depressão – assim como as reações de quem sofre bullying, abusa de álcool e drogas - não é frescura e não é “só para chamar a atenção”. É uma doença séria que precisa de empatia e tratamento adequado. Conversar com quem apresentar qualquer sinal do tipo pode ser fundamental para evitar desfechos trágicos.


Da mesma forma, se você sente que precisa de ajuda, não deixe de se abrir com amigos, familiares e mais quem seja da sua confiança. Se não se sentir confortável dessa forma, o CVV atende pelo número 188 e tem uma equipe de mais de 2 mil voluntários preparados para ouvir, prestar auxílio e conduzir tudo da melhor forma 24h por dia. A ligação é gratuita para todo o Brasil.


Ações de apoio Na segunda-feira, dia 10, o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, o Twitter anunciou uma parceria com CVV. Os usuários que buscarem na rede social por termos relacionados a suicídio, automutilação e similares serão direcionados a uma página com informações a respeito do Centro de Valorização da Vida.



Já o Spotify, também junto com o órgão, criou a playlist 188 (número do CVV) com 40 músicas ditas inspiradoras e que podem ajudar a superar momentos difíceis, em que pessoas estejam vulneráveis ou suscetíveis ao suicídio. Entre os hits selecionados, muitas divas do público LGBT+ como Shake It Off, da Taylor Swift, The Great Escape, da Pink, Living For Love, da Madonna, e By The Grace of God, da Katy Perry. Confira abaixo:



Aqui, seguem alguns links que podem ser úteis para quem quiser se informar melhor sobre prevenção ao suicídio e também para quem precisar de ajuda sobre o assunto:

Centro de Valorização da Vida (CVV) Centro de Atenção Psicosocial (CAPS) Movimento Setembro Amarelo Educação Emocional Associação Brasileira de Psiquiatria Movimento Conte Comigo, Prevenção a Depressão Rede Brasiliera de Prevenção ao Suicídio Informações sobre prevenção do suicídio Transtornos mentais e dependência química Centro Voluntariado de São Paulo Associação Brasileira de Estudos e Prevenção de Suicídios

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