• André Vendrami

Madonna: 60 anos de polêmica, ousadia, influência e transgressão


“E, finalmente, não envelheça. Porque envelhecer é um pecado. Será criticada, será desprezada e, definitivamente, não tocarão sua música no rádio”. Foi assim que Madonna, que nesta quinta-feira (16) chega aos 60 anos, definiu a forma como a sociedade e o mercado musical tratam as mulheres. A frase foi dita durante a entrega de um prêmio da Billboard, em 2016, e nela estão contidas muitas nuances da personalidade da Material Girl.


Afrontosa, difícil, provocativa e segura de si. Madonna sempre foi uma figura que ditou as regras em seu trabalho musical e também no cenário do showbiz por onde sempre circulou respeitadíssima – embora muita gente tivesse vontade, mas nenhuma coragem, de lhe alguns “nãos”. Por tudo isso, não é à toa que a diva é considera a Rainha do Pop, a cantora que mais vendeu discos e a dona das turnês mais rentáveis da história da música. Como diz seu single da maior sucesso no álbum Rebel Heart: Bitch, I’m Madonna.

Como escreveu o jornal El País Brasil, “estamos diante de um dos pontos essenciais para entender Madonna: é uma artista pop. Repitam comigo: p-o-p. Pop”. A cantora é a personificação do que chamamos de música pop. Ela não é do rock, do R&B, do rap. Ela é o pop. A Era Madonna, que nasceu naquele 1983, auge de Holiday, seu primeiro sucesso internacional, colocou a artista como salvadora da pátria no momento em que a disco music dava seus últimos suspiros. Desde então, como também descreve a publicação, Madonna nunca saiu do topo. Ela, inclusive, “chega a essa idade, profissionalmente falando, solitária: Michael Jackson e Prince, que assim como ela nasceram em 1958, já não são concorrência”, sentencia o jornal.



Pioneirismo e inspiração

Tanto é verdade que, junto com toda bagagem histórica e de inovação, Madonna criou também uma espécie de patente do modelo de sucesso na música, completamente usado pelas cantoras pop atuais. Se observarmos as canções e os álbuns que frequentam o frenético sobe e desce no topo dos rankings do Spotify, Billboard e afins, a receita é a mesma que a dona de Like a Virgin usou por toda a carreira: alternar o lançamento de single para a pista de dança com as baladas, além de uma pitada de ousadia sexual e megaprodução nos palcos.

Estão aí, com a aprovação e benção da “instância superior”, Christina Aguilera, Britney Spears, Lady Gaga, Nicki Minaj, M.I.A.. Todas bebendo da fonte Madonna que jorra sucessos há mais de 30 anos. “Ah, mas antes de Madonna, já existiam Cher, Aretha Franklin e Diana Ross” dirão. E houve. E ainda estão aí, todas elas já inclusive acima dos 70 anos. Mas nenhuma delas esteve por tanto tempo seguido em evidência como consegue a mãe de Lourdes Maria, Rocco, David Banda, Estere, Mercy e Stelle.


Vale destacar, claro, que boa parte dessa permanência no topo teve apoio de suas polêmicas e transgressões. Madonna não mudou apenas a indústria musical ao colocar o pop como ritmo promissor na década de 80. Ela também chacoalhou a sociedade, mexeu em temas considerados polêmicos, deu visibilidade à diversidade sexual e exigiu respeito aos gays, que, não à toa, veneram-na. Fez o seu feminismo, escancarou sua sexualidade, tirou de muitas mulheres as amarras em relação ao sexo, ao prazer e ao poder.


Polêmicas

Afinal, não é de hoje que Madonna é símbolo de liberdade sexual, por exemplo. Colhendo os frutos do sucesso de Holiday, em 1984 a cantora chocou o mundo na tela da MTV. Sua apresentação de Like a Virgin durante o VMA daquele ano exibiu suas roupas íntimas, explorou as curvas de seu corpo em um vestido de noiva sexy e ali os jovens da época foram à loucura.

O momento foi tão marcante que, quase 20 anos depois, em 2003, Madonna voltou ao MTV Video Music Awards. Desta vez, uma performance mashup de Hollywood e Like a Virgin, acompanhada das pupilas Britney Spears e Christina Aguilera para protagonizar uma das cenas que ficou para os anais da premiação. O beijo na boca entre as cantoras e mais toda a sensualidade até hoje são lembrados:

Em 1990, mais uma vez uma balançada nas estruturas. A turnê Blond Ambition celebrou o sexo, a diversidade e tudo mais com coreografias que tinham até alusão à masturbação. Até advertências de prisão da polícia do Canadá Madonna recebeu por conta da performance extremamente sexual de Like a Prayer. Foi ali também que se tornou icônico o sutiã em formato de cone criado pelo estilista Jean-Paul Gaultier.


Influência

E Madonna não influencia gerações apenas pela música. Ela é também um forte ícone da moda e sua figura é exaltada cada vez que pisa deslumbrante em um tapete vermelho. Diversos estilistas já lançaram coleções que tem a diva pop como referência. No mundo LGBT+, a cantora é uma fonte inesgotável de possibilidades de criação de looks para as drag queens. Prova disso está no reality show RuPaul’s Drag Race. Na oitava e na nona temporada do programa, RuPaul propôs um desafio às participantes: reproduzir um look de Madonna na passarela. Alguns foram muito bem produzidos, outros, claro, um desastre.

Nós, aqui no Unicorns Brazil, também fizemos um aulão de treino funcional inspirado na cantora. O nosso treino “1000 Madonnas” desafiou a cada aluno a encarar os exercícios vestindo um look da dona de Vogue. Vale destacar que a galera se empenhou bastante para fazer bonito, viu?


Madonna também passou a ser referência sobre adoção. Depois de se tornar mãe de quatro crianças do Malauí, na África, a cantora também passou a ser vista, além de sex symbol, com um viés mais maternal e afetivo. Inclusive, um dos presentes que ela pediu aos fãs nesse aniversário de 60 anos é que eles façam doações a suas obras de caridade em prol das crianças do país africano.


Aulão teve todas as fases de Madonna nesses mais de 30 anos de carreira

Pelo visto, são muitos os motivos para se orgulhar e comemorar, né? Ah, e vale lembrar aqui para quem curte Madonna tanto quanto a gente que pelo menos duas festas em São Paulo homenagearão a diva sexagenária neste final de semana. A Rebobinigths fará sua edição do Night of 1000 Madonnas no Espaço 555, nesta sexta-feria. 17. Já a The Week terá uma versão “Na Pista com Madonna” com a Babylon Madonna 60th Birthday no sábado, 18, a partir das 23h30. Bora?

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