• André Vendrami

Dia Internacional Contra a LGBTfobia: Conheça 18 grupos esportivos que lutam contra o preconceito

Atualizado: 8 de Nov de 2018


Hoje, 17 de maio, é o Dia Internacional Contra a LGTBfobia A celebração marca a data em que a homossexualidade foi excluída da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde (CID) da Organização Mundial da Saúde (OMS) em 17 de maio de 1990. Neste dia, há 28 anos, ser homossexual deixou de ser considerado uma doença.


No entanto, tantos anos depois, os fatos não indicam tantos motivos para comemorações. Afinal, os números de ataques homofóbicos no mundo, e principalmente no Brasil, são alarmantes.


Os dados são tensos, e a brutalidade da LGBTfobia é assustadora: das mortes de pessoas LGBT+ registradas em 2017, 136 foram com armas de fogo, 111 com armas brancas, 58 delas foram suicídios, 32 por espancamento e 22 por asfixia. Há ainda registro de apedrejamento, degolamento e desfiguração, segundo informações do jornalista Rafael Gonzaga, publicadas nesta quinta-feira em seu Twitter.


A Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos recebeu 725 denúncias de violência, discriminação e outros abusos contra a população LGBT só no primeiro semestre de 2017. E isso, levando em consideração que muitos e muitos casos de violência do tipo não são denunciados.


No Brasil, de 1º de janeiro até o dia 15 de maio de 2018, 153 lésbicas, gays, bissexuais e transexuais morreram apenas por causa de ódio em função de orientação sexual ou identidade de gênero não-cis. Em 2017, foram 445 mortes por LGBTfobia. Por isso, há muito ainda a ser combatido.


Por conta disso, neste Dia Internacional Contra a LGBTfobia, nós aqui do Unicorns Brazil decidimos apresentar a vocês mais grupos, que assim como nós, estão nessa luta. No combate dentro e fora de campo e em todos os esportes e frentes.


Falamos então com 18 agremiações esportivas LGBT+ para contar um pouquinho sobre os projetos. Vamos em ordem alfabética, ok? Ah, e aproveite para conhecer os atletas nas galerias de cada grupo!


Afronte F.C. – São Paulo (SP)

O Afronte é mais um dos times de futebol society LGBT+ paulistas criados com o objetivo de promover a inclusão, mostrando que o esporte é para todos independente de gênero e orientação sexual. Foi no ano passado, no dia 17 de fevereiro, que o presidente Moisés Kaique organizou a primeira partida entre amigos e ali nascia a equipe.


O nome vem da intenção de afrontar o paradigma de que futebol é apenas para homens heterossexuais. Inclusive, no Afronte, também é permitido heterossexuais entre os jogadores. “O intuito é inclusão, então aceitamos qualquer gênero que esteja disposto a jogar bola”, explica Moisés.


Com o crescimento dos integrantes, os 31 meninos atuais na equipe treinam agora todos os domingos na Vila Prudente, Zona Leste de São Paulo. É no CT 12 Bola Centro Esportivo que acontecem os jogos. Os interessados em fazer parte do Afronte podem entrar em contato com o time por meio do Facebook e do Instagram.



Alcateia Futebol Clube – Manhuaçu (MG)

A Alcateia Futebol Clube foi criada recentemente, na região de Juiz de Fora, em Minas Gerais. A cidade de Manhuaçu é o berço onde começou a se tornar realidade o sonho de Rans Doner, atual capitão do time e também professor de Educação Física. Em março de 2018, ele começou a idealizar um time que representasse a comunidade gay, quebrando o tabu de que homossexuais não sabem jogar futebol.


A princípio, a equipe receberia o nome de Irmandade, porém a necessidade de um mascote para representar o time levou os organizadores a pensar sobre a força dos lobos, sua luta para conquistar territórios, o domínio da convivência em grupo e o poder da resiliência. “Isso tudo deixou uma reflexão para nós mesmos, pois somos agentes ativos em uma sociedade, precisamos nos unir, nos movimentar, trabalhar em equipe e superar desafios. Nós nos consideramos espíritos de lobos, obviamente formamos uma alcateia, e o nome não poderia ser mais oportuno”, explica Leonardo Barbosa.


E para bater uma bola com os mineiros não é preciso ser profissional e muito menos ficar acanhado. Os treinos acontecem toda terça e quinta-feira, às 20h30, no Hotel Chácara, lá em Manhuaçu. São cerca de 20 jogadores e os novatos recebem aula de fundamentos de jogo para que rapidamente estejam aptos a competir igualmente com os iniciados no esporte. Basta procurar por um integrante da Alcateia e manifestar seu interesse em fazer parte dela.




Alligaytors – Rio de Janeiro (RJ)

O Alligaytors nasceu oficialmente no dia 3 de outubro de 2017. A ideia surgiu com três amigos, Luigi Girotto, Robson Salles e Rick Mello, que queriam criar um clube inclusivo e livre de preconceitos, sem o machismo que predomina no futebol na Zona Norte carioca. Para o mascote da equipe, escolheram um crocodilo verde, que representa um animal forte, veloz e voraz. No escudo, além do mascote, oito estrelas que representa os valores do time: compromisso, ética, disciplina, respeito, cooperação, humildade, integridade e tolerância.


Os meninos mantêm um projeto de inclusão dentro do Alligaytors. Chamado de “Adote um Hétero”, o pessoal permite que heterossexuais possam disputar as partidas com eles. Qualquer jogador pode levar um amigo hétero para os treinos. “Mas apenas um jogo”, reforça Luigi. Para ser escalado, assim como os outros do time, o heterossexual paga R$ 10.


E além do futebol, o grupo ainda tem outras modalidades. No Allygators Trilhas já são 16 pessoas participando e em breve também estarão surgindo o Alligaytors Run e o Alligaytors Vôlei.



Barbies Futebol Clube – Goiânia (GO)

O Barbies é mais uma equipe LGBT+ a somar no Centro Oeste. É o primeiro time de futebol de Goiânia que possui 100% de seu elenco composto de jogadores gays e nasceu em 15 de novembro de 2017. Foi idealizado por seu atual presidente, o zagueiro Jostter Marinho, e estruturado após de inúmeras conversas com presidentes de outros times já formados pelo país, como Bravus (DF) e Magia (RS).


Sua principal bandeira é a inclusão do LGBT+ no esporte, atualmente mais especificamente no futebol society. O nome Barbies veio de uma brincadeira recorrente no meio gay que mistura as imagens da boneca Barbie, que remete à delicadeza, feminilidade, com o grupo denominado internamente pelos homossexuais de Barbies: homens fortes, bem cuidados e com características “mais aceitas” pela sociedade heteronormativa. Desse modo, explica Jostter, “o nome traz mais que a simples representação desse grupo relativamente mais aceito, busca mostrar que todos os jogadores não se definem, não se classificam ou se rotula, mas se incluem sob a égide de um nome em comum”.


O mascote do clube – um cachorro poodle híbrido –, assim como o nome do time, brinca com a mistura entre a fragilidade do grupo LGBT+ e a virilidade e masculinidade do homem musculoso, os famosos Barbies.


O grupo, que atualmente tem 21 jogadores e treinam regularmente duas vezes por semana, tem sido reconhecido por seu pioneirismo na militância no que tange à inserção do LGBTQ+ no esporte e acaba de ser indicado ao prêmio Orgulho LGBT oferecido pela Assembleia Legislativa de Goiânia no Dia Internacional e Estadual de Combate à LGBTFobia.



BeesCats Soccer Boys – Rio de Janeiro (RJ)

Em maio de 2017, 15 amigos gays interessados em futebol se reuniram para jogar bola, nada mais que isso. A experiência despretensiosa foi tão bacana que, no “boca a boca”, eles foram trazendo mais e mais gente. Rapidamente os “Encontros de BeesCats”, às sextas-feiras, em Botafogo, se tornaram uma ótima opção de lazer na cidade. Em média, 30 jogadores e entre 40 e 50 espectadores que apareciam apenas para “curtir vibe”. Assim foi plantado o embrião do primeiro time LGBT+ carioca.


Para o nome do grupo, a ideia girava em torno de referências do meio gay que fizessem algum trocadilho. Foi então que os meninos do Rio chegaram à ideia final de BeesCats Soccer Boys. Quem lê ou fala rapidamente pode não se dar conta logo de cara, mas analisando com mais cuidado, descobrimos nas entrelinhas a intenção divertida: biscates só quer[em] boys.


O time que nasceu informalmente, hoje participa ativamente de competições e conta com um plantel que varia entre 15 e 20 jogadores, treinando semanalmente no Aterro do Flamengo, em horário concedido pela Prefeitura através de um trabalho conjunto com a Subsecretaria de Esporte e Lazer e a Coordenadoria Especial da Diversidade Sexual. Às sextas-feiras, os rapazes ainda mantêm a tradicional pelada “mais light”, que reúne pelo menos 30 pessoas por semana.


A receita no futebol deu tão certo, que os apaixonados pelo vôlei de praia decidiram criar um braço do Bees nas areias, atrelado ao mesmo objetivo: a inclusão através do esporte. Com um crescimento parecido com os encontros de futebol, a galera se reúne semanalmente em Ipanema, Zona Sul do Rio, também já pensando em participar de competições dentro e fora do estado. Para participar das atividades e conhecer o BeesCats, os interessados podem entrar em contato através do Instagram ou da página no Facebook.



Bharbixas – Belo Horizonte (MG)

Em Minas Gerais, a história do surgimento do Bharbixas começou mais ou menos assim: Gustavo Mendes, o fundador do time, viu times de SP e RJ divulgando um chamado para que outras pessoas em outros estados criassem equipes LGBT+ também, resolveu tomar coragem e entrar em contato com eles. Em uma certa quarta-feira, foi criado um grupo no Whatsapp com cerca de 50 pessoas interessadas. No domingo seguinte, lá estavam 21 meninos jogando sua primeira pelada em uma quadra no centro de Belo Horizonte. Despois disso, a quantidade de pessoas foi só aumentando e oficializou-se o Bharbixas tal como é hoje, uma equipe poliesportiva.


Alguns dias depois da primeira partida, os integrantes acharam que seria legal criar o nome do time. “Depois de muita discussão, escolhemos um nome que pudesse representar BH pela sua fama, que são os bares, ficando: ‘Bh’ de Belo Horizonte; ‘Bhar’ pois BH é a capital dos bares e ‘Bixas’ porque a gente é bem bixa”, diverte-se explicando o goleiro Rodrigo Gosling.


O grupo permite a participação para qualquer pessoa LGBT+. Os treinos são abertos e cobram apenas o valor para pagamento das quadras. Então, quem quiser jogar é só aparecer. Não precisa saber jogar. “Consideramos a vontade de fazer parte da equipe e a vontade de aprender o necessário para integrar o Bharbixas. As datas, horários e locais dos treinos são divulgados nas nossas redes sociais”, reforça Gosling.


Atualmente, essa galera, campeã da 1ª Champions LiGay, tem aproximadamente 90 pessoas divididas entre futebol, vôlei, handebol, corrida e close. “Tem algumas pessoas que ajudam nos núcleos do Bharbixas e não participam de nenhum esporte, mas se sentem representadas por aqueles que jogam e competem”, esclarece o goleiro sobre quem é o pessoal fundamental do “close”.



Bravus – Brasília (DF)

O Bravus foi o primeiro time de futebol LGBT+ a surgir na região Centro Oeste do Brasil. Foi na capital federal que, depois de assistir a uma reportagem sobre a 1ª edição da Copa Hornet da Diversidade que, em conversa com amigos, Leone Albuquerque teve a ideia de formar uma equipe. Juntou forças com Jonathan Mendonça e Rodrigo Antonello e em 3 de agosto de 2017 o time fez seu primeiro encontro.


Com a divulgação da equipe nas redes sociais, mais e mais interessados apareceram nos jogos. E foi entre partidas e bate-papos que os atletas também começaram a revelar traumas sofridos por homofobia dentro de campo quando ainda não jogavam em meio apenas a homossexuais. E além de ajuda para lidar com as situações, o Bravus notou que muitos dos jogadores tinham técnica futebolística e resolveram investir – mesmo sem nenhum tipo de patrocínio - em uma ala mais competitiva do projeto.


Para mascote da equipe, o Bravus escolheu o lobo-guará, animal símbolo de Brasília (e do cerrado brasileiro). “No logotipo, a intenção é representar algo típico da região, que no caso é lobo-guará. Na imagem, ele está mordendo a faixa, que tem conotação com a brincadeira sobre ‘morder a fronha’”, revela Jonathan.


Bulls Football – São Paulo (SP)

A história do Bulls começou aqui com a gente, no Unicorns Brazil. “Nós brincávamos lá, mas, como eles mesmos diziam, era algo mais recreativo e nós queríamos algo mais competitivo. Então, formamos um grupo oito amigos que jogavam lá e montamos o Bulls Football”, conta Maurício Lima, diretor do time.


O nome surgiu por conta das entradas mais firmes que os rapazes costumam fazer nas jogadas aliadas ao apelido de um dos jogadores, o Touro. Daí foi que nasceu a ideia de que todos também eram touros e a equipe foi batizada de Bulls.


Já no primeiro jogo, em 1º de fevereiro de 2017, o grupo tinha 40 pessoas em quadra. A popularidade chegou logo depois, quando estrearam o uniforme do time e viraram notícia no canal LGBT+ Põe Na Roda. “A divulgação foi muito boa e motivou a criação de outros times pelo Brasil”, comemora o diretor. Os ganhadores da edição gaúcha da Champions LiGay têm hoje 40 mensalistas na equipe. E o projeto vai crescer e o grupo passará a ser poliesportivo. “O que mais importa é lutarmos pela inclusão LGBT+ no esporte. Por isso, estamos criando o Volley Bulls, equipe na qual já temos mais de 30 pessoas”, revela. Além disso, vem handebol e corrida por aí também.


O lema do Bulls é inclusão sem estereótipos. “Todos são aceitos e inseridos no grupo, mesmo que não saibam praticar a modalidade. O que interessa é a pessoa querer fazer parte deste grupo e dessa história. Isso nos deixa muito felizes e queremos continuar por muitos anos”, garante Maurício.


Os treinos acontecem às sextas-feiras, das 20h30 às 23h, no Playball Ipiranga, em São Paulo. Para participar, basta ser aliado da causa e curtir a modalidade escolhida seja para jogar ou torcer. Se interessou? Cola lá!



CapiVara Futebol Clube – Curitiba (PR)

O time LGBT+ dos paranaenses surgiu em 23 de novembro de 2016 e atualmente são pelo menos 70 jogadores na equipe. O nome CapiVara é uma homenagem ao mascote da cidade com o qual os integrantes se identificaram. Segundo os fundadores, o logotipo é uma expressão forte do combate à homofobia dentro e fora de campo.

“Aqui em Curitiba temos uma cidade tradicionalmente conservadora e um esporte de massa praticado, em sua grande maioria, por jogadores heterossexuais. Por isso, em nosso logotipo, decidimos ousar. Apesar de sermos um time gay, nos apropriamos do azul para bater de frente com o preconceito, escolhemos o dourado porque a gente vale ouro. A capivara e o pinheiro lá ao fundo como símbolos simpáticos do Estado e da cidade que com orgulho ostentamos no peito. A trave vem para dizer que, sim, os gays de Curitiba jogam futebol”, explicam os rapazes.

Os jogos de futebol acontecem semanalmente às quartas-feiras, às 19h40 e às 21h, tudo de forma descontraída, claro. A ideia é passar a incluir na rotina um dia de treino também às segundas-feiras. Mas o projeto não está apenas focado no futebol. O Capivaras também tem um time de vôlei com 60 pessoas, que se reúne aos domingos, das 17h às 19h. A participação é livre, basta que o interessado entre em contato com os administradores para que seu nome seja inserido na escalação. Fácil, né?



Capixabas FC – Vitória (ES)

Talvez o mais novo de todos os times, o Capixabas nasceu em 15 de março deste ano. Mas a ideia de formar um time LGBT+ no Espírito Santo já martelava na cabeça de Thiago Pinheiro e Robert Simoni, os co-fundadores, há algum tempo. “Desde o ano passado, tentei criar um time. Ainda nem conhecia o Thiago, que tentava criar outro. Na tentativa frustrada, eu o convidei para nos unirmos. Foi aí que tudo começou”, conta Robert. “Foi um casamento né?! A gente estava se organizando de maneiras diferentes e acabamos nos completando quando decidimos nos unir. A partir daí aconteceu tudo naturalmente”, reforça Thiago.


Para o mascote, os jovens queriam um felino que permitisse trabalhar também algo caricato. Surgiu então uma onça princesa. Já o nome veio em referência ao Estado dos rapazes, mas não era a ideia inicial. “Tínhamos outro nome. Era para ser Cabixabas e, ok, a gente sabe que é muito melhor”, brinca Thiago. “Mas resolvemos trocar quando integrantes do time argumentaram sobre poder soar um pouco pejorativo, e, a longo prazo, nos prejudicar na obtenção de patrocínio ou outro tipo de apoio. Vitorinha é um pouco provinciana. A gente quer tombar, mas quer tombar com o pé no chão, se possível”, defende ele.


O time tem apenas dois meses, mas o interesse pelas pessoas em fazer parte do projeto faz com o Capixabas já tenha 30 pessoas na equipe. Os treinos rolam toda quinta-feira, às 20h40, no Society Arena Loc, em Vitória. Para jogar pela primeira vez, basta avisar os meninos com antecedência. Ah, e muito em breve, as modalidades devem crescer. Os rapazes nos revelaram que um grupo de corrida e um time de futebol feminino já estão para ser lançados.



Diversus F.C. – São Paulo (SP)

O Diversus surgiu no ano passado, quando Roger Prado e o amigo Pedro, decidiram fundar em São Paulo mais um time LGBT+. E como quanto mais, melhor, a equipe – que hoje já tem 20 jogadores - nasceu em 29 de outubro de 2017 com um nome inspirado no conceito mais amplo possível da “diversidade”.


No escudo, o mascote é um cavalo marinho aliado à bandeira LGBT+, simbolizando que o ser humano pode ser o que quiser, a quebra do padrão e dos estereótipos. “Ele tem cabeça de cavalo, olhos de camaleão, mas ao mesmo tempo também é um peixe. O macho é quem ‘engravida’ e fica responsável pela incubação dos ovos. A coroa acima dele significa que não importa o que você seja, você tem seu valor mesmo que seja diferente dos demais”, explica Roger.


Para jogar com os paulistas, os treinos acontecem todo sábado, às 19h, no Sport Gaúcho Futebol Society - Unidade Pompéia, na Barra Funda. A única regra para fazer parte do time é gostar de futebol e se dar bem em grupo. O único custo é a divisão do valor do aluguel da quadra pelos jogadores. Só vem!



Futeboys Futebol Clube - São Paulo (SP)

Os Futeboys começaram a se reunir oficialmente como um time em 9 de setembro de 2015, mas a ideia de criar uma equipe já existia um bom tempo antes disso. Para provar que o futebol é para todos, os meninos decidiram que além de bater um bolão, ainda entrariam em campo vestindo rosa e que ali o preconceito e a homofobia não teria vez.


“Dentre muitas exigências, aprendemos que o homem é heterossexual, não chora, veste azul, é macho e joga futebol. No Futeboys, nos unimos para decidir que não. Somos gays, choramos, vestimos rosa, somos sensíveis e jogamos futebol. Com amizade e alegria, criamos um espaço de conforto e segurança onde, sem preconceito, podemos o esporte”, dizem os organizadores.


O time tem atualmente 34 jogadores e eles já participaram de três torneios LGBT+, entre eles a Taça Hornet e a Champions LiGay. Os jogos são realizados às quintas-feiras, na Area Sports, nos Jardins. Para participar, basta procurar os jogadores mandando mensagem no Direct do Instagram, ok?



Karyocas Fut7 - Rio de Janeiro (RJ)

A melhor forma de começar algo especial é reunindo amigos. E foi assim que nasceu o Karyocas, o terceiro time, que como o nome já diz, enfrenta o preconceito e a homofobia no Rio de Janeiro. No início, foram várias as ideias de nomes para batizar a equipe. Inicialmente seria Flamingos, mas os rapazes queriam algo que tivesse relação com a Cidade Maravilhosa. Então, durante uma reunião em busca de "algo bem carioca", o insight veio. "É isso, vamos colocar um Y, vamos escrever com K e deixar esse 'carioca' bem aflorado", conta Giba, presidente do projeto.


Para participar dos jogos, basta acompanhar os meninos pelas redes sociais. É por lá que eles divulgam a agenda dos treinos. "Quando as pessoas nos procuram, nós tentamos acolher todo mundo e sempre digo 'ninguém precisa saber jogador futebol, basta ter vontade. O resto a gente corre atrás e, no final, dá tudo certo'", afirma Giba.


No começo, os rapazes tiveram dificuldades para encontrar um espaço que fosse acessível e onde não houvesse discriminação sexual. Mas agora, com tudo resolvido, o Karyocas treina no Colégio Batista, uma escolinha de futebol do Flamengo que os jogadores chamam carinhosamente de "Arena Batistão", todos os domingos, às 10h a 12h, na Tijuca, pertinho do metrô.


Hoje são 24 membros. "Chega a ser engraçado o número, claro, mas tem surgido cada dia mais gente nos procurando para participar, estamos crescendo. É muito gratificante", brinca Giba. E são vários os motivos para comemorar: Ontem, por exemplo, o Karyocas festejou o lançamento de seu novo uniforme em um amistoso contra o BeesCats. E ficou lindo, viu?



Manotauros F.C – Belo Horizonte (MG)

O Manotauros foi fundado em 11 de dezembro de 2017 por Giovanni Della Croce, jogador e atual presidente, no intuito de agraciar Minas Gerais com mais um time no segmento LGBT+. Na bandeira, já cara, os mineiros trazem as palavras Respeito, Inclusão e Raça, reforçando o lema da equipe que é “juntos somos mais fortes”.


Em apenas cinco meses de vida, o time já 35 integrantes entre jogadores e comissão técnica. A faixa etária varia entre 18 e 38 anos. Para se juntar a essa galera na luta contra a homofobia e também para bater uma bolinha, basta comparecer às sextas-feiras, a partir das 21h, à Arena MPFT, no bairro Horto, na capital mineira. Bora?



Meninos Bons de Bola – São Paulo (SP)

Pioneiro, o projeto paulista surgiu a partir da constatação, por parte dos criadores Raphael e Moira, da baixa inserção dos homens transexuais no espaço de convivência do Centro de Referência e Defesa da Diversidade (CRD). Eles então formas de trazer esses homens trans para o espaço de convivência. A idea então foi a realização de encontros informais com rodas de conversa e a prática de futebol.


Durante esses encontros entre cerca de 30 pessoas – homens transexuais, família e amigos –, uma das demandas evidenciadas foi a necessidade de praticar esporte, sobretudo porque a hormonioterapia com testosterona pode acarretar ansiedade, indisposição e agitação. E esse foi o primeiro passo para a formação do Meninos Bons de Bola, 1º time amador de homens transexuais do Brasil. O futebol tornou-se recurso de socialização e integração social dos integrantes, marcos exclusivos da criação da equipe.


Pode participar dos treinos, que acontecem todos os domingos, das 9h às 13h, qualquer pessoa que seja homem transexual. São 30 atletas atualmente, que se reúnem para jogar na Rua Tabatingera, 192, em São Paulo. Os interessados podem entrar em contato pelas redes sociais do Meninos Bons de Bola.



Natus F.C. – São Paulo (SP)

O Natus surgiu em 23 de maio de 2015, com o apoio do Comitê Desportivo LGBT do Brasil (CDG) com a proposta de combater todo tipo de preconceito e garantir um espaço inclusivo para pessoas LGBT+ e amigos que gostam de jogar futebol. O nome do time tem origem do latim, que significa “nascido” e faz alusão ao artigo 1º da Declaração Universal dos Direitos Humanos: “todos nascem iguais em dignidade e direitos”.


O brasão da equipe segue a mesma proposta do nome. As asas trazem a sensação de liberdade de voar e ser livre, enquanto o arco-íris com a bola simboliza a comunidade LGBT+ mostrando seu futebol.


Os rapazes não fazem distinção de nenhum aspecto para novos integrantes. Gays, lésbicas, transexuais, heterossexuais, todos podem jogar e se divertir, desde que com muito respeito, claro. O treinos acontecem no Sport Gaúcho Futebol Society - Unidade Pompéia, na Barra Funda, em São Paulo todos os sábados, das 14h às 16h.



PampaCats – Porto Alegre (RS)

A ideia de montar um time formado somente por garotos gays surgiu da necessidade de encontrar um local onde os meninos do PampaCats pudessem jogar futebol, sem que houvesse medo do desrespeito e da marginalização que a comunidade LGBT+ sofre no ambiente esportivo. Além da questão importante que era criar um ambiente inclusivo, no qual independente da qualidade técnica dos jogadores todos pudessem jogar sem serem ou se sentirem repreendidos.


Com o incentivo dos Unicorns Brazil e dos BeesCats que realizaram uma campanha chamando atletas interessados em fundar times de futebol gay por todo o Brasil, a equipe de Porto Alegre nasceu em 10 de agosto do ano passado. Desde então, a quantidade de atletas só cresceu e o grupo treina duas vezes por semana na capital gaúcha. O PampaCats é uma equipe poliesportiva: já conta com outras modalidades como vôlei, handebol, corrida e futebol feminino. São aproximadamente 250 atletas e muitos projetos ainda prometem sair do papel, trazendo novas modalidades à equipe.


O nome do grupo faz referência ao “Pampa Gaúcho”, região de onde a maioria dos “gatos” desse time surgiram. O mascote, um leão batizado de Pampitta, traduz a fofura, o amor e a alegria de ser um dos PampaCats. Pampitta ganhou um baile em seu nome, que acontece periodicamente em Porto Alegre e é aberto ao público. E como não estão nessa luta para brincadeiras, os guris têm um idioma próprio, o Pampanês, que segundo eles “já faz parte do vocabulário de todos os PampaJogadores”. Para receber todas as informações sobre treinos e fazer parte do grupo, basta se inscrever no site ou mandar um e-mail para scpampacats@gmail.com.



Sereyos Sport Club – Florianópolis (SC)

A Ilha da Magia deu à luz os Sereyos em 10 de setembro de 2017. Nascido com um time de futebol, em quase um ano, o projeto tornou-se uma equipe poliesportiva LGBT+. Hoje, os guris oferecem também vôlei, treino funcional, corrida e estão criando também um time de futebol feminino, equipes de aula de circo e dança. Mas tudo começou quando o atual presidente Eddie Prim conversava com o capitão Jonatan Michel sobre a opressão contra os gays em campos de futebol.


Eddie já tinha contato com o pessoal aqui do Unicorns Brazil e foi incentivado a montar um time em Santa Catarina para participar da 1ª Champions LiGay. O empurrãozinho paulista, aliado à vontade do parceiro ruivo, deu vida ao time de Florianópolis. “Nosso nome foi praticamente imposto pela diretoria do Uniconrs”, brinca o presidente. Mas o Sereyos foi escolhido por conta da Ilha da Magia, o encanto das sereias e também porque o Tritão e a Sereia são antigos símbolos de resistência LGBT+. “Não tinha como ser outro”, confirma Eddie. Por isso mesmo, o mascote do time é um tritão.


Para fazer parte do grupo, basta procurar os catarinenses por meio das redes sociais ou pelo Whatsapp. Por ali, eles enviam todas as informações necessárias. Os treinos de futebol rolam todos os domingo, às 18h, no Bola na Trave, em São José. Já a turma do vôlei joga aos sábados, às 13h45, no SESC Prainha, em Floripa. A corrida e o treino funcional são realizados às terças-feiras, às 20h30, na Avenida Beira Mar Norte, também na capital. Juntando todas as modalidades, os Sereyos já são cerca de 250 atletas.



Tamanduás-Bandeira Rugby – São Paulo (SP)

E, assim como vários grupos nasceram no futebol e se tornaram poliesportivos, em São Paulo, uma outra galera se juntou em torno de esporte, digamos, pouco comum no Brasil. São os Tamanduás-Bandeira que fazem partidas LGBT+ de rugby e são o primeiro time do tipo no Brasil.


“O rugby é um dos esportes mais democráticos existentes. Nele é possível acolher todos os tipos de corpos para diferentes e essenciais papéis na equipe. Dentro desse esporte, as diferenças se completam e tornam o time mais forte em uma unidade onde todos são essenciais”, contam os fundadores.


A ideia surgiu de conversas pela internet entre os fundadores Alan Alves, Bruno Kawagoe e Marcelo Cidral e inicialmente era fazer um treino experimental. Então eles criaram um evento público no Facebook nomeado "1o Treino Aberto de Rugby LGBT+ SP" para 6 de maio de 2017, no Obelisco do Parque Ibirapuera e divulgaram nas redes sociais. Desde então, o grupo se encontra todos os sábados às 15h, na Praça da Paz, dentro do parque. “Os treinos são livres e abertos para todas e todos que tenham interesse em participar: gordas (os) e magras (os), altas (os) e baixas (os), meninas, meninos, menines, com ou sem experiência. Só trazer um short, uma camiseta que não tenha problema rasgar ou sujar, chuteira ou tênis que não escorregue muito”, explicam eles. Os treinos variam entre 15 e 30 participantes, mas não existe um limite máximo de participantes.


Sobre o mascote, os rapazes explicam que “a maior parte dos times de rugby remetem a elementos folclóricos ou elementos da flora ou fauna da cultura do país. Dentro dessa proposta, escolhemos Tamanduá-Bandeira que além de ser um animal típico da fauna brasileira, é um representante dessa imensa diversidade. A palavra Tamanduá não distingue gênero e independente das diferenças somos iguais e estamos unidos pelo amor ao rugby. E também deu um trocadilho legal de Tamanduá-Bandeira e levantar a bandeira da diversidade”. Incrível, não acham?



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