• André Vendrami

Atletas brasileiros LGBT+ assumidos: Ainda poucos, porém importantíssimos


Fotos: Reprodução

A proximidade do início da Copa do Mundo na Rússia é um bom momento para colocarmos novamente em pauta o tema da homofobia no esporte, principalmente no futebol. Afinal, não fosse por isso, o Unicorns Brazil talvez nem existisse. Mas a luta é necessária e diária, por isso, vamos lá!


Vocês devem saber que a Rússia é um dos países mais homofóbicos do mundo. Não que seja proibido ser homossexual por lá – como acontece em alguns países da África, por exemplo, mas existe uma lei no país de Vladmir Putin que proíbe a discussão do assunto em escolas, acreditam? A premissa absurda dessa lei é que não se pode “ensinar crianças a tornarem-se gays ou lésbicas”. Além disso, a homofobia é tão latente entre os russos que ela é praticamente tolerável entre os habitantes da sede do maior evento de futebol do planeta.


Para se ter uma ideia da gravidade da situação, ativistas LGBT+ estimam que a quantidade de ataques por homo e transfobia duplicou na Rússia desde que, em 2013, essa lei foi sancionada. Diante disso, comitês esportivos pedem para que atletas homossexuais – assim torcedores como gays, lésbicas e transexuais – não façam demonstração de carinho e afeto em público durante a estada no país para o torneio que começa em 14 de junho.


Situação brasileira

No Brasil, a quantidade de competidores esportivos que já assumiram abertamente sua sexualidade ainda é muito pequena. Mas, a cada saída do armário, uma vitória importante para chutar a homofobia para escanteio. No entanto, o medo da perda de patrocínio e até mesmo do emprego ainda afasta os atletas da felicidade de viver uma vida profissional sem precisar esconder o que realmente são.


Há quem diga que no futebol profissional brasileiro não há sequer um jogador gay assumido. E, se formos levar em consideração os grandes times das primeiras divisões, realmente a estatística está correta. Mas se as tabelas forem analisadas mais a fundo, existe no Brasil um goleiro declaradamente homossexual. Estamos falando de Jamerson Michel da Costa, popularmente conhecido entre os jogadores do Nordeste como Messi, que revelou sua orientação sexual publicamente lá em 2010.


Jamerson Michel da Costa, goleiro do Alecrim - Foto: Reprodução

Jamerson joga em times de futebol do Rio Grande do Norte. Nenhum deles da primeira divisão. Por isso, talvez, sua coragem em peitar um ambiente homofóbico como os campos de futebol brasileiros não seja assim tão conhecida do grande público. Mas foi enquanto defendia as traves do Palmeira de Goianinha que ele revelou ser gay. Depois disso, passou a jogar pelo Globo entre 2014 e 2015 e atuou também no Alecrim, pelo Campeonato Potiguar, durante 2016 e no primeiro semestre do ano passado.


Enquanto no futebol brasileiro ainda há um enorme receio em se aceitar jogadores LGBT+ entre os heterossexuais, outros esportes estão, digamos, um passo a frente dessa realidade. É o caso de muitas modalidades olímpicas, por exemplo. Na edição carioca dos jogos em 2016, um levantamento do historiador Tony Scupham-Bilton, a quantidade de atletas assumido chegou a 62. Em 2012, em Londres, esse número não passava de 23. Consideradas as Olímpiadas mais gay da História, a competição sediada no Brasil tinha diversos atletas LGBT+ nacionais assumidos trazendo o tema da homofobia ainda mais a público.


Talvez, a lutadora de taekondo Julia Vanconcelos, o saltador Ian Matos, a judoca Rafaela Silva e a jogadora de rugby Isadora Cerullo – para citar apenas alguns – não tenham ideia, mas só o fato de não demonstrarem algum constrangimento por serem atletas homossexuais durante competições e fora delas é um grande avanço para a luta da comunidade LGBT+. Por causa deles, jovens atletas com as mesmas orientações sexuais serão inspirados a fazer o mesmo e tornar o mundo esportivo mais tolerante com a diversidade sexual.


Atletas LGBT brasileiros

Embora sejam ainda poucos, é preciso dar destaque aos brasileiros que encabeçaram a luta contra a homofobia no esporte, tenha sido essa uma decisão consciente ou não. Por isso, vamos apresentar aqui alguns desses atletas que merecem aplausos e, claro, torcida.


Foto: Reprodução

Amanda Nunes: a lutadora de MMA é a primeira campeã homossexual do esporte. Campeã da categoria peso-galo do UFC, a baiana namora com outra lutadora, a americana Nina Ansaroff.


Em entrevistas antes e depois dos combates, a atleta sempre fala da companheira e faz questão de evidenciar seu amor.


Foto: Reprodução

Ian Matos: o saltador inspirou-se no ícone do esporte, Tom Daley, e logo após o inglês ter revelado sua homossexualidade, o paraense tornou a sua publica também. Ian é tricampeão brasileiro adulto na categoria do trampolim de 1 metro. “Fiz isso para mostrar que você pode ser gay e ser feliz, que isso não te torna melhor nem pior do que ninguém, só diferente da maioria”, disse em entrevista ao Globo Esporte, quando se assumiu oficialmente.


Foto: Reprodução

Tiffany Abreu: a jogadora de volêi é a primeira brasileira transexual a atuar no esporte e disputar a Superliga feminina pelo Bauru, no ano passado. Antes de concluir sua transição de gênero em2016, defendeu outros times brasileiro e jogou na Europa. Após a finalização do processo, ainda defendeu o Dero Zele-Berlare, time da segunda divisão masculina na Bélgica, e após uma pausa na carreira, fechou com o Golem Palmi, time feminino da segunda divisão da Itália. No Brasil, Tiffany segue firme na luta contra o preconceito que sofre de outras atletas e técnicos dentro do esporte. Embora tenha decido não conceder mais entrevistas e não participar de programas de TV, a jogadora não parou de jogar e arrasa nas quadras.


Foto: Reprodução

Julia Vasconcelos: Embora tenha anunciado sua aposentadoria neste ano, a lutadora de taekondo é um dos orgulhos brasileiros no esporte. Dos seis aos 25 anos, a atleta dedicou-se à luta e nas Olimpíadas de 2016 representou o país na categoria até 57kg.


No currículo, conquistas de duas medalhas de bronze em mundiais militares, a quarta colocação no Pan de Toronto e o vice pan-americano em 2014 .


Foto: Reprodução

Rafaela Silva: o primeiro ouro brasileiro nos Jogos Olímpicos de 2016 veio de uma mulher negra, periférica e lésbica. Foi a judoca Rafaela Silva quem deu esse gostinho ao país e foi aplaudida e elogiada por toda uma nação.


Fora dos tatames, a lutadora carioca namora Thamara Cezar, companheira que cuida de suas redes sociais e também das três cachorrinhas.


Foto: Reprodução

Isadora Cerullo: a jogadora de rubgy foi destaque também durante as Olimpíadas de 2016. Longe do pódio com o time brasileiro, a atleta emplacou no noticiário quando toda a torcida brasileira assistiu ao vivo sua namorada, a voluntária no evento Marjorie Enya, entrar em campo e pedir sua mão em casamento. O “sim” deixou os torcedores e funcionários do estádio eufóricos e elas foram imensamente aplaudidas.


Foto: Reprodução

Mayssa Pessoa: natural de João Pessoa, na Paraíba, a brasileira atualmente defende um time de handebol na Romênia. Por lá, já se tornou campeã nacional. Pelo Brasil, a goleira foi medalha de ouro no Pan-Americano de Handebol em 2013 e nos Jogos Pan-Americanos em 2015. Revelou-se bissexual durante uma competição LGBT do esporte na França em 2012. “[O mundo esportivo] é muito preconceituoso. Entre os homens, principalmente, muitos têm medo. Mas eu consegui tudo na minha vida e sigo conseguindo, e isso não influenciou. Sou bissexual? Sou. Tenho de aceitar isso, e todas as pessoas me respeitam”, afirmou em entrevista durante as Olimpíadas de Londres.


Foto: Reprodução

Larissa França: a jogadora é sucesso no vôlei de praia. Campeã sete vezes do Circuito Mundial, duas vezes nos Jogos Pan-Americanos e uma vez no Campeonato Mundial, a atleta – que nasceu no Espírito Santo – atuava ao lado de Juliana Silva nas quadras de areia. Casada com a também jogadora de vôlei de praia Liliane Maestrini desde 2013, voltou a competir em 2014 após uma pausa na carreira em 2012 para tentar engravidar. Atualmente faz dupla com Talita Antunes, com quem disputou os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.


Eles podem até ser ainda poucos, mas são importantíssimos na luta LGBT+. Esquecemos de algum? Comenta aí que a gente acrescenta na lista. Quanto mais visibilidade, melhor, né?

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